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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2004

Eles andam aí

‘Eles’ é o sujeito da terceira pessoa do plural em todos os tempos verbais. Em Portugal, contudo, ‘eles’ ganham todos os dias uma nova identidade. Por isso, impõe-se a pergunta: onde é que ‘eles’ andam? Mais: quem são? Andam por aí, é o mínimo que se pode dizer. Dificultam a vida à multidão, controlam os cordelinhos, decidem, protelam, confundem ou estão simplesmente à sombra da bananeira, quietos. De uma forma geral, ‘eles’ são acusados de tudo e culpados por todos. Quando um grupo de pessoas se junta e o tema de conversa resvala para o tempo, lá estão: “eles dizem que no final da semana vai estar bom tempo”. Quando o governo toma uma decisão mais polémica, por exemplo, se o preço da gasolina sobe e se um dos Ministros de Estado comunica à população mais um imposto, ‘eles’ aparecem: “eles são uns ladrões, pá, só nos roubam”. Se o Benfica perde, se a selecção nacional de futebol comete erros – como os jogadores sub-21 –, perdendo, ‘eles’ lá estão prontos a levar a culpa às costas: “eles não se esforçam, não sabem jogar, só sabem jogar no Porto”. Se um polícia de trânsito decide caçar multas, eis que surgem, definidos: “eles só estão onde não é preciso”. Se são profissionais da televisão, por exercerem o ofício de actor e jornalista, são imediatamente referidos da seguinte forma: “eles ganham montes de dinheiro e não fazem nada. Aquilo é tudo improvisado. Grandes vidas que eles têm”. Sendo médicos, os comentários costumam ser bastante mais ofensivos: “eles nunca sabem nada”. Caso sejam profissionais das finanças, pior: “eles pensam que me enganam mas não, tenho os olhinhos bem abertos. Que é isso?”
Pois bem, ‘eles’ são uma entidade abstracta, é o que é. Sujeitos a quem a generalidade da população se refere quando tem os calos apertados, quando está insatisfeita e zangada com alguma coisa ou, simplesmente, quando quer dizer mal de tudo e de todos. Por puro despeito e inveja contida, ‘eles’ engloba uma enormidade de profissões de que se sabe pouco, muito pouco ou quase nada. Daí o medo. Há uma dose de medinho presente quando o plural da terceira pessoa do sujeito aparece. “Eles nunca ajudam ninguém, pá, são uns chupistas.” A palavra chupista, por exemplo, não carece de nenhuma indefinição de significado. Um chupista pode ser um bêbedo, um chupador, um comedor, um explorador, um interesseiro, um papa-jantares, um parasita ou um pau-d’água. Gosto particularmente de ‘chupador’, por ser uma palavra que sugere uma acção no tempo – o chupão, o sorvo. Se ‘eles’ fossem nomeados com rigor semelhante, seria mais fácil reconhecê-los.

‘Deles’ é sempre de desconfiar e nunca se sabe o que daí advirá. Mesmo quando são citados de forma branda. Podem ser muito bons mas é comum serem bastante maus. Como do ‘diabo’ se pode esperar tudo de mau, ‘eles’ não auguram nada de bom. Podem ser ‘o diabo em pessoa’. Ora, se ninguém lhes põe a vista em cima, porque na realidade vivem encapuçados pela generalização de si próprios, como definir a fundamentação do sujeito adequando-a a uma categorização correcta? Bem, em vez de se pronunciar ‘eles devem-me dinheiro’, dir-se-ia, ‘os oficiais de contas ainda não me enviaram o resultado do cálculo entre o que ganhei e o que o Estado arrecadou em excesso’. Em vez de ‘eles são uns ladrões e só nos roubam’, ‘os parlamentares, aqueles doutores, são uns filhos da puta, uns mete para dentro’. Em vez de ‘eles só estão onde não é preciso, ‘os polícias de trânsito são uns chupistas, embora a PJ seja muito boa e o corpo de intervenção bata lindamente’. O adjectivo ‘lindo’ aplica-se aqui pela eficácia policial dos ‘sujeitos’ interventivos depois de saírem das carrinhas azuis. Fazem-no sem deixar marcas evidentes. É preciso saber ser específico para levar adiante esse desabrimento acima de qualquer primor nominativo.

Chamar as pessoas pelo nome não é uma moda credível, isso é bastante óbvio. Há um desprezo absoluto pela nomenclatura nominal, embora existam excepções que resistem à generalização na conjugação verbal da terceira pessoa do plural. O Presidente da República é muitas vezes chamado de o ‘Sampaio’, o Primeiro-Ministro de o ‘Santana’, o Procurador-geral da República de o ‘Souto Moura’, e o presidente dos Estados Unidos de ‘Bush’. Verdade seja dita, fizeram por isso. O primeiro, um político de esquerda, promulgou a existência de um governo de direita. O segundo não se demitiu apesar das polémicas em volta do seu gabinete. O terceiro tem sido mais prolífero: cometeu ‘gaffes’ maravilhosas, começou uma guerra no Iraque e, se a actualidade seguir o seu caminho, ser-lhe-á aberta a porta de saída nas eleições presidenciais de Novembro.

Ora, fazer da terceira ‘pessoa’ do plural um substantivo, é preciso notar, torna redutor e quase criminoso o exercício de uma certa criatividade verbal. Cria problemas graves de discurso. Por exemplo, encontrar amigos na rua e não ter de os chamar por Pedro, Paulo, Zé, Sofia e Ricardo é prenúncio de alguma economia, o que poderá fazer algum sentido se a recessão continuar. Mas porquê poupar no que não custa nada, as palavras? Fará sentido chegar a casa e dizer à mulher: “hoje vi-os”. E ela perguntará: “viste quem? Eles. Eles quem? Pá, eles. Aqueles grande amigos meus com cabelos loiros e madeixas.” Que parvoíce!

Ruben P. Perereira in Diário Digital em 01-09-2004

Ensaio do filósofo rafapaim às 23:05
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10 comentários:
De rafapaim a 8 de Setembro de 2004 às 23:52
Ricardo... e estão bronzeados e com fatos novos!!! Andam todos artilhados e a brincar que nem batalha naval! Tiro na água!
De Ricardo a 8 de Setembro de 2004 às 23:04
Eles já andam por aí! Tomaram até conta da nossa Marinha e já perseguem pequenas embarcações em águas internacionais! Veêm de outros planetas e têm ambição do poder pelo poder, têm sorrisos colgate e querem dominar o mundo. Nossa única defesa contra "eles" é o Raid, contra melgas e mosquitos!
De rafapaim a 8 de Setembro de 2004 às 00:43
... ... recomendo a todos a leitura integral do blog!!! Mas posso dar uma ajuda... a data do ensaio é 11-05-2004! A filosofia não vai tão longe... fica pela graça da coisa!!! Esperemos algum tempo ainda para a ver morrer...
De ... a 7 de Setembro de 2004 às 23:48
Vou investigar... é que essa do "Já o outro dizía", remonta a velhos tempos do rei Herodes...isto interessa-me! hihihihi! Parece-me que estou autorizada a vasculhar aqui os cantos à casa. Eu, que a vi nascer!
De rafapaim a 7 de Setembro de 2004 às 23:08
... ... mas que bela reflexão!!! Se procurar também tem uma filosofia sobre o "outro"!!! Existe quem goste de iniciar sempre uma frase com o outro já dizia!!!
De ... a 7 de Setembro de 2004 às 22:48
Excelente! Grande filosofia, hoje! "eles" é o pronome ideal para tudo sem nada comprometer, porque no mundo de hoje, o essencial é evitar qualquer espécie de compromisso, ou ser chamado a responsabilidades. Já em conversas da treta, se costuma dizer algo do género: "dizem que..." mas nunca se diz quem é que diz, livra! Em linguística, que explica muita coisa do comportamento humano, está explicação: um pronome faz desaparecer os outros. Seria complicado dissertar sobre o caso, ams numa conversa entre Tu e Eu, se entrar um Ele, Tu ou Eu acaba por desaparecer, porque a comunicação recíproca e verdadeira só pode existir entre dois. Isto tudo para quê? para tentar juntar o "eles" à tibieza (cobardia) comunicacional. Hoje, não me sai uma de jeitos, peço desculpa. Abraço! :)
De rafapaim a 7 de Setembro de 2004 às 22:12
wearetwo... isso não é uma história?!?! ehehe!
De wearetwo a 7 de Setembro de 2004 às 21:41
eram mais de cem
eram mais de mil
não os contei bem
um milhão de lil-iputianos pr'aí

os homems pequenos
quando são demais
não fazem por menos
tornam-se fatais-vão por mim que o vivi

José Mário Branco
De rafapaim a 7 de Setembro de 2004 às 21:00
saltapocinhas... eles são uns tipos tramados!!!
De saltapocinhas a 7 de Setembro de 2004 às 19:43
Já cantava o Zeca "eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada"

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